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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A Bioquímica das Drogas

DROGA é qualquer substância, natural ou fabricada em laboratórios que em contato com o organismo altera suas funções, podendo ser naturais ou sintéticas. Tais substâncias circulam pelo corpo através da corrente sanguínea, introduzidas por via oral, nasal ou intravenosa.


Problemática dos últimos séculos, o uso de drogas tem alavancado uma indústria bilionária, e posto em cheque os avanços da saúde pública mundial e brasileira. Várias foram as discussões acerca da regulamentação de substâncias tidas como alucinógenas ou entorpecentes, como o álcool e o cigarro (drogas lícitas), que passaram a ter restrições de publicidade, uma vez que o controle de venda pode se dá pelo aumento do preço, por campanhas de conscientização (como expresso nas caixas de cigarro), ou ainda pela proibição ou restrição de propagandas do produto.

Dentre os efeito do uso de tais substâncias, entorpecentes ou alucinógenas, após circular pelo sangue, destacam-se os efeitos orgânicos, físicos e sociais, que dia após dia, interferem no bem estar do usuários e das pessoas que o cercam, o que caracteriza uma situação de vulnerabilidade social, marcada pela proibição legal do uso individual e coletivo dessas substâncias, a formação das "bocas de fumo" e o narcotráfico.

Em uma pesquisa realizada pelo professor David Nutt, da Universidade de Bristol, analisou-se 20 drogas ilícitas e lícitas e classificou-se numa escala do nível de dependência, efeitos no organismo e interação social, conforme a tabela abaixo (clique para ampliar).


A heróina (diazetilmorfina) e a cocaína (éster metílico da benzoilecgonina) são elencadas como os primeiros lugares da pesquisa. Nest post será tratada uma das drogas mais perigosas e difundidas entre usuários brasileiros, a cocaína. E sobre sua forma de ação, é sabido que:
Sua atuação dá-se no cérebro e na medula espinhal, exatamente nos órgãos que comandam os pensamentos e as ações das pessoas. 
O mecanismo de ação da cocaína no Sistema Nervoso Central é aumentar a liberação e prolongar o tempo de atuação dos neurotransmissores de dopamina, noradrenalina e serotonina, os quais são atuantes no cérebro (após transporte da substância por proteínas específicas dos capilares sanguíneos que permitem a passagem pela barreira hematoencefálica), bloqueando os sítios transportadores de dopamina que têm a função de levar de volta a dopamina que estava agindo na sinapse. Uma vez bloqueados estes sítios, a dopamina não é recaptada, ficando portanto, "solta" no cérebro até que a cocaína saia. Quando um novo impulso nervoso chega, mais dopamina é liberada na sinapse, mas ela se acumula no cérebro por seus sítios recaptadores estarem bloqueados pela cocaína. Acredita-se que a presença anormalmente longa de dopamina no cérebro é que causa os efeitos de prazer associados com o uso da cocaína. 
O uso prolongado da cocaína pode fazer com que o cérebro se adapte a ela, de forma que ele começa a depender desta substância para funcionar normalmente, diminuindo os níveis de dopamina no neurônio. Se o indivíduo parar de usar cocaína, já não existe dopamina suficiente nas sinapses e então ele experimenta o oposto do prazer - fadiga, depressão e humor alterado.
A pressão arterial pode aumentar e o coração bater mais rápido, chegando a produzir parada cardíaca. Esses efeitos são: taquicardia, hipertensão e palpitações. A morte pelo consumo excessivo da droga também pode ocorrer devido à diminuição de atividade de centros cerebrais que controlam a respiração.
Há ainda o crack, droga recente, e que tem ganhado muitos adeptos mundo à fora, frente às possibilidades de produção. Mas por que "crack"? A palavra "crack" vem do som que a pedra de cristal faz quando é aquecida no cachimbo de crack. Esse som é causado pelo bicarbonato de sódio. O crack também é feito da cocaína em pó, mas como sua produção não requer o uso de solventes inflamáveis, é menos perigoso de fazer do que a base livre. Para fazer crack, a cocaína em pó é dissolvida em uma mistura de água e amônia ou bicarbonato de sódio. A mistura é fervida para separar a parte sólida, e depois resfriada. A parte sólida é posta para secar e depois cortada em pequenos pedaços, ou "pedras".
No Brasil, usar ou traficar droga é crime. Para um usuário a lei prescreve seis meses a dois anos de detenção e se aplica a qualquer forma de uso da cocaína. Se uma pessoa for surpreendida levando cocaína para usar junto com os amigos a lei nº 6368, de outubro de 1976, chamada de "lei antitóxico", no seu artigo 12, classifica como traficante de droga tanto a pessoa que possui laboratórios clandestinos que fabricam a cocaína como aquela que simplesmente a oferece a um amigo, ainda que gratuitamente.
O fato é que existem diversos programas do governo acerca da necessidade da educação e conscientização de crianças, jovens e adultos, seja em escolas, ou ainda a nível de atenção básica, seja através de palestras ou oficinas, além de diálogos diretos com os profissionais de saúde. É necessário entender ainda que os riscos da droga estão relacionados à dependência e seus efeitos, algo que pode ser iniciado através da primeira infusão da substância.
É imprescindível o fortalecimento dessas medidas preventivas, além das de promoção de saúde, como o melhoramento do sistema educacional (fator de ascendência social e de estabilização econômica), bem como as medidas de reparo ou anti-impacto (aquelas relacionadas à ruptura do ciclo vicioso ou de garantia de saúde), exemplificada aqui como o fornecimento de aparelhos estéreis de aplicação intravenosa. Já que o paciente resiste ao tratamento, o Estado como provedor de saúde, deve garantir o mínimo em saúde para o usuário, tendo em vista o risco de contaminação por doenças sexualmente transmissíveis ou hepatite.
REFERÊNCIAS:

Drogas Ilícitas. Disponível em: <http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/drogas_ilicitas.html> Acesso em 22 de nov. 2014.

Estudo de Dependência. Disponível em: <http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140673607604644/table?tableid=tbl3&tableidtype=table_id&sectionType=green> Acesso em: 22 de nov. 2014.

Lista de Substâncias Sujeitas a Controle Especial. Disponível em: <http://www.obid.senad.gov.br/portais/OBID/conteudo/index.php?id_conteudo=11464&rastro=INFORMA%C3%87%C3%95ES+SOBRE+DROGAS/Listas+de+drogas%2FAnvisa> Acesso em 22 de nov. 2014.